segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2014

A Maratona


No final de Outubro de 2013 decidi correr a minha 1ª Maratona, em Sevilha. Ontem corri a mítica distância: 42195m!

Sob orientação do Mestre Eduardo Santos, a preparação decorreu durante alguns meses de muitos km nas pernas. Valeram-me os grandes companheiros de treino Luís Santos, Luís Matias e Rui Silva, que me acompanharam nesta viagem.

hashtag: #querocorreramaratonadesevilha2014 (algumas fotos da preparação)

                          

                              

Fui para Sevilha na 6ª feira com a família, pronta para dar todo o apoio nestes últimos momentos. Passeámos um pouco pela cidade no sábado, mas a cabeça estava muito focada na prova. A ansiedade era imensa e impediu que tivesse a noite de sono que tanto desejava. Ainda madrugada escura, dirigimo-nos à partida, cruzando-nos pelas ruas de Sevilha com os últimos resistentes da noite.

Amanhecer em Sevilha na zona de partida


























A Maratona:

9000 inscritos (900 portugueses)

Na partida, fui inicialmente colocado no separador dos atletas com tempos previstos de 3h30-3h45. Consegui mudar para o da 3h-3h15 mostrando o certificado da meia dos descobrimentos (1h24’29’’).


Partida às 9h, ao lado do Luís Santos.
Objectivo: terminar bem abaixo da 3h15, se possível abaixo das 3h.
Estratégia: tentar “encostar” aos 4’15/km (para quem não sabe, é a média necessária para fazer 3h) e logo se vê... não cair em tentações de acelerar na fase inicial. Passar à Meia Maratona junto às 1h30. Dar tudo a partir dos 35km, caso haja forças para isso.

Primeiro km confuso, feito em 4’20.
Balão das 3h à vista... mantenho-me com o Luís na cauda desse grupo.

Passagem aos 10km em 42’20’’.
15km em 1h03’47’’.
Meia-maratona: 1h29’40’’, tal como planeado.
A partir daqui começaram as dúvidas acerca da capacidade de manter o mesmo ritmo durante mais uma meia maratona. Começam a surgir algumas dores e dou por mim a pensar em manter uma passada o mais económica possível.
É também por esta altura que o grupo onde estavamos parece começar a perder elementos. Mas nós mantinhamo-nos firmes.

Os abastecimentos foram confusos desde o início e nesta altura comecei a sentir dificuldade em arranjar água em quantidade suficiente, até porque estava a ficar cada vez mais calor. Por isso, decidimos subir ligeiramente o ritmo e posicionarmo-nos numa zona com menos atletas. O Luís entusiasmou-se um bocadinho e chegou a distanciar-se uns 15 metros de mim. Não me sentia suficientemente bem para subir tanto o ritmo e mantive-me.

Depois dos 30km voltei a juntar-me ao Luís. Se antes dos 21km conversámos muito durante a prova, por esta altura reinava o silêncio, só “perturbado” pelos gritos constantes dos apoiantes sevilhanos: “ânimo campeones!!!”

Os abastecimentos continuavam confusos e os 3 geis que levei já lá iam... comecei a pensar que poderia necessitar de algo mais, mas era extremamente difícil conseguir água, quanto mais alimento. Cheguei a ver uma banca com bananas, mas já era tarde... A dada altura vejo alguém com algo na mão que não era liquido e agarrei. Era mais um gel, com sabor a laranja :). Meti-o aos 34km. Desesperei por água a seguir mas, passado um pouco, lá consegui um copo que deu para mim e para um atleta que me pediu, desesperadamente, um pouco.

Nesta altura deixei de ver o Luís, que ficou um pouco para trás. Logo a seguir encontrei o Raul Quaresma com quem troquei algumas palavras e a quem manifestei o receio de bater numa grande parede mais à frente. Ia já com bastantes dores, principalmente na coxa esquerda. O Raul simplesmente disse, “não fiques a pensar nisso”, e alguns metros mais à frente, numa zona onde os apoiantes eram menos eufóricos, dá um berro impressionante: “ÂNIMO!!”.
Foi a força que precisei para encarar os últimos km com determinação. 

Km a km fui derrotando a distância sem perder o ritmo.

Visualizei-me várias vezes a entrar no estádio Olímpico de Sevilha e a cortar a meta de braços no ar.

Mas entretanto, o cenário não era bonito... ultrapassei vários corredores e vi dezenas de pessoas a “cair” agarrados às pernas com dores... vi pessoas a serem assistidas e transportadas de maca aos 41km... e pensei... ainda me pode acontecer... mas não aconteceu.
Entrei no tartan cheio de força e fiz a curva na pista 2. Levantei os braços bem antes de cruzar a meta, sem conseguir ver a família que vibrava na bancada, e quando acabei o meu garmin marcava 2h59’15’’. Depois chorei... bastante.

Factos:
Tempo oficial: 2h59’31’’
Tempo de chip: 2h59’13’’
Média de 4’15/km
Km mais lento: 41º em 4’23
Km mais rápido: 4º  e 22º em 4’07
Classificação ao longo da prova:
10 km - 844º
21 km - 874º
30 km – 737º
35 km -  700º
42,195 km – 600º

Está feita e com alegria!

Se soubesse que no dia seguinte iria sentir as dores que sinto, poderia ter pensado 2 vezes. Mas fazia tudo na mesma!

Eu e o Luís S. de rastos mas felizes!
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Fotos instagram hashtag: #querocorreramaratonadesevilha2014
Fotos do dia da maratona by Susana